Como sambar como um malandro no Rio de Janeiro

October 15, 2025

“Costas eretas! Peito para cima! Quadris firmes!” Carla Campos berra por cima do tumulto selvagem da batida de samba que sacode as caixas de som em seu elegante estúdio de dança em Ipanema. “Parem de ficar pulando! Parem de se contorcer! Vocês não são galinhas. Vocês não são minhocas. Vocês são homens! Vocês são malandros!”

Ah, o malandro — o arquétipo do bad boy, o vigarista, o conquistador, o herói de todas as primeiras canções de samba do Rio de Janeiro. Minha primeira aula de samba está chegando ao fim, e eu me sinto um fracasso. Mas, com o toque habilidoso de uma marionetista, Carla me puxa para fora — crânio, esterno, barriga, costas, cada um levado em vetores opostos e — abracadabra! — estou dançando rigidamente ereto, peito estufado como o de um galo, uma energia masculina intensa inundando minhas veias. É um impacto e tanto, uma euforia — uma sensação deliciosamente estranha para um escriba britânico curvado, de óculos e alcoólatra como eu.

Minha aula não apenas me apresentou a um novo lado de mim mesmo (Chico, devo chamá-lo, meu malandro interior? Ou talvez Nelson?). Também foi um ótimo exercício físico e uma lição sobre a necessidade de parar de pensar e simplesmente fazer as coisas na vida. Como mais, no espaço de uma única hora, convencer quadris, braços e pés a se moverem regularmente em um ritmo frenético, porém em ritmos diferentes, em direções diferentes, enquanto também se sorri amplamente e se incorpora o espírito de um herói mítico do folclore brasileiro? O fato de eu ter conseguido fazer algo que se aproximasse desse feito, mesmo por alguns segundos, perto do fim da aula da Carla, já é uma grande conquista por si só.

Uma fusão exclusivamente brasileira de elementos africanos e europeus mais antigos, o samba nasceu na virada do século XX no Rio de Janeiro e logo se tornou uma febre em todo o país. Mais tarde, gerou milhares de variantes — mais famosa entre elas, os tons sussurrados, cintilantes e influenciados pelo jazz da Bossa Nova. É a principal exportação cultural do Brasil, e você pode aprender a dançá-lo praticamente em qualquer lugar do planeta. Mas não há nada como vivenciá-lo em sua cidade natal, onde ele continua sendo a trilha sonora da vida cotidiana.

Meu guia é Tom Robinson, da própria Dehouche, que tem conexões fantásticas com a multifacetada cena do samba na cidade. Ao saber da minha recém-descoberta obsessão pelo meu nascente malandro interior, ele e a sambista brasileira, extremamente elegante, Keyla Bergamazi, me levam primeiro ao território original desta última: os grandiosos boulevards da Lapa, um bairro boêmio e antigo distrito da luz vermelha, onde os clubes de samba que prosperaram na década de 1930 ainda continuam firmes e fortes.